Dermatite atópica e as emoções

23 de setembro de 2020

Hoje, 23 de setembro, é o Dia de Conscientização da Dermatite Atópica. A data foi estabelecida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia e pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia para trazer mais informações sobre esta condição tão comum no mundo todo. A Libbs aproveita a data para explicar a relação íntima entre as emoções e essa doença.

Você provavelmente já ouviu aquela expressão “à flor da pele”. Muito comum na rotina dos brasileiros quando o assunto são emoções, ela pode ter um significado literal na vida de pessoas que têm predisposição a alergias hereditárias. É o caso dos pacientes com dermatite atópica, doença crônica caracterizada por pele seca, lesões avermelhadas e coceira intensa, que afeta aproximadamente 20% das crianças no mundo inteiro.

As fortes emoções, como o estresse e a ansiedade, podem impulsionar a manifestações de crises por meio de processos químicos que ocorrem no corpo humano, é o que diz o Dr. Roberto Takaoka, médico dermatologista e presidente da Associação de Apoio à Dermatite Atópica (AADA). “O estresse libera hormônios que agem no sistema imunológico, gerando inflamações ou potencializando estados inflamatórios já presentes no corpo, podendo desencadear a piora da dermatite atópica”, explica.

dermatite atópica infantil

“É comum que a criança capte o nervosismo das pessoas e ambientes ao seu redor e internalize o sentimento, que acaba se manifestando na pele com aumento da coceira e das lesões”, aponta Dr. Takaoka. Por conta disso, é preciso que pais e responsáveis saibam reconhecer e manejar situações potencialmente estressantes para as crianças.

Além de realizar o tratamento adequado da dermatite atópica, visando a sua melhora e a prevenção de crises, é essencial que os pacientes tenham períodos da rotina dedicados a hobbies, atividades físicas e momentos de tranquilidade, que são essenciais para diminuir a tensão do dia a dia e podem ajudar a aliviar quadros já agravados pelas ondas de estresse.

Conviver bem
Para as pessoas que convivem com a dermatite atópica e seu familiares, existe ainda todo um processo de compreensão da condição e de como as emoções influenciam nas crises.

dermatite atópica infantil

Gianina Massenlli é mãe de uma paciente adolescente, de 16 anos, que tem dermatite atópica, diagnosticada há 4 anos. “O diagnóstico só foi possível aos 12 anos, quando a minha filha teve uma de suas piores crises”, conta Gianina. Até então, a busca por entender o que eram os eczemas e inflamações na pele não havia sido bem-sucedida. A crise ocorrida aos 12 anos foi muito intensa e coincidiu com um período de estresse gerado por uma mudança de escola.

As manifestações de ansiedade, estresse e tristeza são intensificadas no período da adolescência não só por questões hormonais, mas também por questões como socialização na escola, vestibular e outras. Para quem tem dermatite atópica o quadro é ainda pior: “todas as vezes que fico um pouco mais tensa, um pouco mais estressada ou ansiosa para uma prova, sempre começo a me coçar mais… E a tristeza também me causa isso”, diz a paciente.

Segundo ela, aprender a conviver e também a olhar para a ansiedade de forma diferente são parte da rotina de quem tem dermatite atópica: “quando começo a ficar mais ansiosa, já percebo e tiro um tempo pra mim, pra tocar violão, me acalmar”. E completa: “a gente tem que se aceitar, aceitar que tá tudo bem e tentar controlar isso sem ter que deixar de viver por causa da doença”.

Entender as crises como correlacionadas à saúde emocional trouxe mudanças não só para a paciente, mas também para sua mãe. Para Gianina: “entender o estresse relacionado às crises de dermatite atópica foi um processo. Quando esse universo se abre você entende realmente que está ligado à ansiedade, estresse e tudo mais. Estamos todas tentando amadurecer e ir em busca da melhor forma de lidar.

Referência:
https://bit.ly/2ZJI8PQ

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