A internet e a saúde mental

27 de janeiro de 2021

A internet é um recurso extremamente importante para o funcionamento da sociedade como conhecemos hoje. Existem diversos estudos que apontam o como o uso da internet e das redes sociais está mudando os padrões de comportamento das pessoas, suas ações, seus estilos de vida e outros. Para além das mudanças visíveis, o impacto de viver no mundo das redes sociais na saúde mental é um assunto que exige mais atenção e cuidado, pois a conectividade e a facilidade de acesso às informações podem ter consequências sérias para seus usuários, sejam jovens ou adultos.

internet e saude mental

Como as redes sociais podem afetar a nossa saúde mental
Apesar de delicado, esse assunto é muito importante e tem sido debatido com frequência por influenciadores, pesquisadores e estudiosos da área. A rapidez com que circulam as informações e o grande volume de conteúdo gerado nas redes sociais fazem com que, comumente, os usuários se sintam cobrados a estarem sempre conectados e informados sobre tudo. A sobrecarga de informações e a obrigação de se antenar podem gerar um desgaste emocional, uma vez que o usuário se força a manter um nível de atualização que o permita dialogar e interagir com os demais como o que se espera socialmente.

E é impossível não falar sobre os produtores de conteúdo e influenciadores digitais que, assim como os recursos das próprias plataformas, têm a missão de manter os usuários ativos, engajados e interagindo nas redes, quando o assunto é o impacto da internet na saúde mental. Muitos deles abordam temas delicados como transtornos mentais, emagrecimento cirurgias plásticas e outros assuntos complexos sem a profundidade necessária, o que pode ser, de certa forma, prejudicial para quem consome aquele determinado conteúdo.

Uma respondente de um estudo feito pela Mind Miners em parceria com a FAAP afirma: “coisas difíceis como emagrecer são tratadas como simples e ser só questão de esforço, assim como ganhar dinheiro, ser famoso etc.”. Ainda, um outro respondente pontua ter tido sentimentos negativos por “ver a vida das pessoas em lugares melhores, condições financeiras melhores, serem mais bonitos que eu, dentre outros”. Ambas as falas foram colocadas diante do questionamento se os usuários já haviam experimentado sentimentos negativos ao consumir conteúdos nas redes sociais. Vale observar que, mesmo quando não enxergamos realidade e profundidade nas informações vindas das redes sociais e dos influenciadores, continuamos seguindo e consumindo os conteúdos produzidos.

Sobre a questão dos transtornos mentais, o mesmo estudo aponta que 31% dos respondentes já foram diagnosticados com ansiedade, enquanto 18% com depressão. Contudo, para muitos deles as redes sociais não precisam ter somente um impacto negativo em suas vidas, mas também positivo: uma das formas de se beneficiar é a utilização de grupos para debater a saúde mental de forma horizontal e mais ampla, partilhar experiências pessoais, criar novas conexões e outros.

Facebook, Twitter e Instagram
Existem estudos que relacionam o uso excessivo da internet a algumas características pessoais dos usuários. Os mesmos estudos apontam que pessoas com baixa autoestima passam mais tempo navegando pelas redes sociais Facebook e Twitter, o que pode ser interpretado como uma tentativa de compensação de alguma dificuldade de se relacionar socialmente.

Ainda, tem-se observado que o uso problemático dessas redes sociais, especificamente, está não só associado a fatores psicológicos, mas também desencadeia fatores fisiológicos e sociais como maior taxa de depressão, solidão, problemas de sono, menos satisfação com a vida e conexão social.

Já os usuários do Instagram dividem a opinião dos estudiosos. Existem alguns que acreditam que pessoas extrovertidas têm maior tendência a se tornarem dependentes do app, enquanto outros apontam que comprometimento, gestos de amor-próprio e agradabilidade estão associados a usuários que possuem menor grau de dependência da rede caracterizada pelo compartilhamento de fotos e vídeos.

Como evitar as consequências negativas
Existem muitas opções para que as pessoas aprendam a usar redes sociais de forma saudável. Medidas como ter horário definido para encerrar o uso do telefone celular, não permitir o uso desses aparelhos durante as refeições, escolher um ou mais dias da semana para deixar o celular em modo avião e não levar o telefone para a cama têm um grande impacto na redução do consumo excessivo de tecnologias, informações e influências das redes.

Limitar o tempo de uso do celular, monitorar mudanças de humor e prestar atenção aos avisos de amigos e familiares também são algumas das medidas importantes na mudança do famoso “vício em celular”. Mas caso você ou alguém próximo esteja passando por isso, é possível buscar ajuda: existem psicólogos, psiquiatras e associações preparados para a conscientizar os pacientes sobre o uso saudável do celular no dia a dia.

4 dicas para se manter saudável

  • Unfollow positivo
    O unfollow positivo é uma estratégia para ter uma postura ativa nas redes sociais, sem tudo aquilo que nos causa mal. Fazer uma “limpa” nos perfis que nos fazem sentir mal de alguma forma já é um passo enorme para colaborar para a sua saúde mental.
  • Sua referência é você mesmo!
    O comportamento de se comparar é quase que automático. Sabendo disso, cabe a nós identificarmos os momentos em que isso acontece e desconstruir esse vício da comparação. Afinal, só você mesmo sabe sobre sua trajetória, seus risos e choros, e sobre o quanto você evoluiu para chegar até aqui. Pensando dessa forma, parece até meio injusto se comparar com as outras pessoas, não é mesmo?
  • Controle o seu tempo online
    Afinal, a vida lá fora também está acontecendo e está cheia de coisas interessantes a serem vistas e experimentadas!
  • Siga conteúdos que te fazem sentir bem
    Hoje em dia, existem vários influenciadores, páginas e apps que propõem o bem-estar consigo mesmo, autoaceitação do corpo, o respeito às diferenças e outros conteúdos que agregam valor.

 

Referências:

Wong HY, Mo HY, Potenza MN, Chan MNM, Lau WM, Chui TK, et al. Relationships between severity of internet gaming disorder, severity of problematic social media use, sleep quality and psychological distress. Int J Environ Res Public Health. 2020;17(6):1879.

Nesi J. The impact of social media on youth mental health. NCMJ. 2020;81(2):116-121.

González-Bueso V, Santamaría JJ, Oliveras I, Fernández D, Montero E, Baño M, et al. Internet gaming disorder clustering based on personality traits in adolescents and its relation with comorbid psychological symptoms. Int J Environ Res Public Health. 2020;17(5):1516.

Abi-Jaoude E, Naylor KT, Pignatiello A. Smartphones, social media use and youth mental health. CMAJ. 2020;192(6):E136-141.

Davies B, Turner M, Udell J. How  tspiration and body positive captions attached to social media images in unce the mood and body esteem of young female instagram users. Body Image. 2020;33:101-105.

Carbonell X, Chamarro A, Oberst U, Rodrigo B, Prades M. Problematic use of the internet and smartphones in University Students: 2006-2017. Int J Environ Res Public Health. 2018;15(3). pii: E475.

Derevensky JL, Hayman V, Lynette Gilbeau. Behavioral addictions:Excessive gambling, gaming, internet and smartphone use among children and adolescents. Pediatr Clin North Am. 2019;66(6):1163-1182.

Kim SG, Jong P, Kim HT, Pan Z, Lee Y, McIntyre RS. The relationship between smartphone addiction and symptoms of depression, anxiety, and attention-de cit/hyperactivity in South Korean adolescents. Ann Gen Psychiatry. 2019;18:1.

Global Mobile Consumer Survey 2017: O celular no dia a dia do brasileiro [internet]. Deloitte; 2017 [acesso em 06 fev 2020]. Disponível em: https://www2.deloitte.com/content/dam/Deloitte/br/Documents/technology-media-telecommunications/GMCS-Dinamico.pdf

Abreu CN, Karam RG, Góes DS, Spritzer DT. Dependência de Internet e de jogos eletrônicos: uma revisão. Rev Bras Psiquiatr. 2008;30(2):156-67.

Bergagna E, Tartaglia S. Self-Esteem, Social Comparison, and Facebook Use. Eur J Psychol. 2018; 14(4): 831–845.

Kircaburun K, Grif ths MD. Instagram addiction and the Big Five of personality: The mediating role of self-liking. J Behav Addict. 2018;7(1): 158–170.

Young KS. Internet addiction: the emergence of a new clinical disorder. Cyberpsychol Behav. 1998;1(3):237-44.

MindMiners. Redes Sociais e Saúde Mental [internet]. 2019 [acesso em 27 jan 2021]. Disponível em: https://mindminers.com/blog/redes-sociais-saude-mental/

Catraca Livre. O impacto das redes sociais e o que é possível fazer [internet]. 2019 [acesso em 27 jan 2021]. Disponível em: https://catracalivre.com.br/saude-bem-estar/o-impacto-das-redes-sociais-na-saude-mental-e-o-que-e-possivel-fazer/

 

 

 

 

 

 

Compartilhe