Autoaceitação e saúde mental

18 de dezembro de 2020

Não é de hoje que ouvimos falar de padrão de beleza e do quanto ele pode ser, de certa forma, opressor para quem não se enquadra (e muitas vezes até mesmo para quem se enquadra!). Além dos possíveis transtornos que afetam o comportamento alimentar e que podem desencadear efeitos negativos na saúde física e mental das pessoas, as consequências emocionais de viver sob a pressão de atender a um padrão midiático podem ser bem mais sérias do que a gente imagina. Esses comportamentos são destrutivos e podem prejudicar a aceitação própria e autoestima. Alguns desses transtornos alimentares são anorexia, bulimia, compulsão alimentar e obesidade. É claro que os transtornos alimentares não são desencadeados apenas pelas pressões sociais, mas essas podem ser um gatilho e também fator de manutenção dos mesmos para aqueles indivíduos que são suscetíveis.

A pressão para se encaixar no tal “padrão ideal” acontece porque a única referência de beleza é aquela que está sendo exposta na mídia, todos os dias. E, com isso, muitas pessoas sentem a necessidade de ter um corpo, rosto ou cabelo de acordo com a referência para se sentirem bem. Dessa forma, é comum ouvir relatos de pessoas que deixam de sair de casa, de se divertir com os amigos e familiares, por não estarem felizes consigo próprias.

Insegurança, padrão de beleza e a saúde mental
Parece que algo está errado quando a aparência nos impede de realizar atividades do nosso dia a dia, não é mesmo?

A insegurança com relação à aparência faz parte da realidade de muitas pessoas ao redor do mundo. Uma pesquisa realizada em 2016 pela Dove, empresa de cosméticos, com 6.800 mulheres, apontou que 8 em cada 10 mulheres já evitaram algum compromisso social por não se sentirem bem com seu próprio corpo.

Além do mal estar consigo, que por si só já, de alguma forma, impede a execução de atividades corriqueiras, atrapalhando o andamento da vida da pessoa, a busca pelo corpo ideal requer sacrifícios. Dietas restritivas, exercícios físicos em excesso, uso de medicações sem orientação médica e, ainda, em casos mais críticos, a indução do vômito (bulimia) e a não ingestão de alimentos fazem parte da rotina de quem tenta, obsessivamente, atender ao padrão.

A crescente pressão por parte da mídia e da internet para atingir o padrão de beleza irreal pode ser uma causa importante para desencadear ansiedade, frustração e depressão relacionadas à própria aparência.

Em que momento pedir ajuda emocional?
Algumas pessoas, por exemplo, podem vir a apresentar sinais de sofrimento emocional associado aos comportamentos acima descritos, como os próprios distúrbios alimentares ou a falta de autocontrole e tentativas de dietas frustradas, onde a assistência médica e/ou psicológica pode se fazer necessária.

Procurar ajuda de um profissional pode auxiliar na identificação das crenças do paciente, como os modos de pensar sobre si mesmo e sobre os outros, para modificar pensamentos distorcidos e disfuncionais que causam emoções negativas como ansiedade e angústia, que podem  levar à compulsão alimentar.

Ter vontade de mudar, procurar ajuda profissional e manter a calma e a positividade, são algumas estratégias de extrema importância para o resgate da autoestima.

Autoaceitação, movimentos body positive e a internet
A internet deu voz pra muita gente e, nos dias atuais, já é possível encontrar pessoas que falam sobre uma filosofia body positive e sobre autoaceitação. Os movimentos body positive dizem respeito, ao pé da letra, a um corpo positivo: um corpo olhado de maneira carinhosa, leve e sem as pressões de padrões inatingíveis e opressores.

Ao contrário do que muitos pensam, não se trata de um termo criado apenas para que pessoas “acima do peso” se sintam melhor. Trata-se de buscar um novo olhar para o corpo, um olhar que quebra paradigmas do que é verdadeiramente belo ou saudável e para a descoberta do nosso próprio corpo, com suas qualidades e milhares de possibilidades.

Depois de anos vivendo sob a luz de um padrão imposto pela mídia, hoje, na internet, é possível encontrar movimentos que propõem um novo olhar sobre o corpo: um olhar de aceitação do diferente e de representatividade. Afinal, se experimentar o corpo que vivemos é uma circunstância existencial, por que não optar pela aceitação e o amor-próprio?

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