Comunicação Não Violenta na prática: veja exercícios

14 de abril de 2021

A Comunicação Não Violenta (CNV) é um método desenvolvido pelo psicólogo Marshall Rosenberg para estimular uma comunicação mais compassiva, consciente e humanizada. Isso porque ela propõe que nos expressemos com mais compaixão e empatia, apesar das diferenças de opinião, e sem julgamentos. Também chamada de Comunicação Empática, é uma estratégia frequentemente escolhida para resolução de conflitos em ambientes familiares, educacionais, corporativos e legais.

CNV na prática

Princípios básicos da Comunicação Não Violenta
Podendo ser aplicada como um exercício para o autoconhecimento ou como uma prática para estimular a cooperação e o respeito em determinados ambientes e situações, a CNV parte do princípio de que todos possuem necessidades que geram sentimentos – sentimentos expressados através da fala. A metodologia funciona a partir de alguns componentes básicos:

Observação: observar é diferente de avaliar e julgar. A qualificação não faz parte da observação proposta pela CNV, pois incita preconceitos e geralmente resulta em falas exageradas e com tom de avaliação – que podem levar ao conflito.

Sentimento: depois de observar o que está fora sem avaliações, é preciso encontrar os sentimentos que vêm como resposta à observação. O sentimento é aquilo que resulta da somatória das necessidades, das expectativas e da forma como recebemos o que observamos (o que nos acontece).

Necessidade: estar consciente de seus sentimentos é estar consciente de suas necessidades e, ainda, aberto para se expressar e compreender as necessidades dos outros. O mais comum é expressarmos nossas necessidades de forma agressiva para o ouvinte. Um exemplo é quando uma mãe fala para o filho “Você nunca para em casa!”: na fala, por trás da cobrança agressiva, está escondida a necessidade de mais contato e atenção.

Pedido: diz respeito a uma comunicação clara e assertiva, que vem como um resultado das três etapas anteriores. Fica mais fácil falar, se expressar, quando observamos sem críticas e entendemos o que sentimos. E isso também torna o processo mais fácil e leve para o ouvinte.

Exercícios básicos de CNV
Existem pequenos exercícios que podem nos ajudar a entrar no mundo da comunicação empática e compassiva:

Na observação: vamos com cuidado para não superdimensionar as coisas! Afirmações vagas e palavras como “sempre”, “nunca”, “frequentemente” e ‘raramente” denotam pouca especificidade, julgamento e incerteza. Por exemplo: “Cláudia está sempre chegando atrasada” poderia ser substituído por “Cláudia chegou atrasada três vezes nesta semana”.

No sentir: sentimento é diferente de pensamento. Expressar o sentir é diferente de expressar crenças e achismos e, por isso, é preciso se atentar. Quando vamos falar de sentimentos, em vez de usar frases como “Eu sinto como se estivesse com raiva” ou “Eu acho que me sinto aliviada”, podemos procurar frases mais assertivas, como “Estou aliviado”, “Estou com raiva”, “Estou bem-humorado”.

Nas necessidades: expressar com assertividade as suas necessidades evita o conflito e interpretações errôneas. Evite falas negativas e comportamentos como autocrítica excessiva ou culpar a si mesmo e/ou aos outros, e procure escutar os sentimentos e necessidades de todos (inclusive os seus).

Nos pedidos: para que a mensagem seja bem recebida e compreendida, use uma linguagem positiva e seja claro ao fazer algum pedido. Diga o que você quer e não o que você não quer. A linguagem positiva é uma linguagem consciente e não vaga.

Referências
PELIZZOLI, Marcelo L. Introdução à Comunicação Não Violenta (CNV) – reflexões sobre fundamentos e método [internet]. Pelizzoli, M.L. (org.) Diálogo, mediação e cultura de paz. Recife: Ed. da UFPE. 2012 [acesso em 25 fev 2021]. Disponível em: http://cursos.unipampa.edu.br/cursos/sbecnv/files/2018/10/pos-int–cnv-ii.pdf

ROSENBERG, Marshall B. Comunicação Não-Violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais [internet]. [Tradução Mário Vilela] – São Paulo : Ágora, 2006 [acesso em 25 fev 2021]. Disponível em: https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=2HGf_-uVBEQC&oi=fnd&pg=PA13&dq=comunica%C3%A7%C3%A3o+n%C3%A3o+violenta&ots=jVEuqIvtfl&sig=Mt7aXjbAXrVu8VZWHTlZRlz1Vac#v=onepage&q=comunica%C3%A7%C3%A3o%20n%C3%A3o%20violenta&f=false

MARTINOT, Annegret F.,  FIELDER, José C. B. do Prado. A importância da CNV – Comunicação Não Violenta na realização do processo de autoconhecimento [internet]. Revista Educação v.11, n.1. 2016 [acesso em 25 fev 2021]. Disponível em: http://revistas.ung.br/index.php/educacao/article/view/2174/1699

ROCHA, Caroline R. Manual de Comunicação Não Violenta para organizações [internet]. 2017 [acesso em 26 fev 2021]. Disponível em: https://bdm.unb.br/handle/10483/19734

Compartilhe