Dependência tecnológica

30 de novembro de 2021

Viver sem a tecnologia parece totalmente impossível nos dias de hoje. Principalmente após a pandemia e o isolamento social, a internet e os meios tecnológicos ganharam cada vez mais espaço e se tornaram ainda mais essenciais para a nossa rotina. Contudo, o uso da tecnologia pode ser prejudicial quando acontece de forma desenfreada, tanto que, muitas vezes, a dependência da tecnologia é comparada com o vício em drogas e álcool.

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Vício em celular e outras tecnologias
É difícil definir os limites entre o vício e o uso saudável da tecnologia. Especialmente hoje, em pleno século 21, quando as ferramentas tecnológicas estão tão inseridas no nosso cotidiano, desde a hora em que acordamos com o despertador do celular, até a hora que dormimos assistindo àquela série por streaming. Ninguém sabe muito bem em qual ponto cruzamos a fronteira do vício, mas o que caracteriza, de fato, a dependência é a falta de controle perante a necessidade de uso da tecnologia: celulares, redes sociais, jogos, sites, blogs etc.

Considerando o contexto de pandemia que vivemos nos últimos dois anos, em que a única realidade que possibilitava a comunicação com outras pessoas e com o mundo exterior (externo às paredes de casa) era a internet, já era de se esperar que o número de pessoas adictas da tecnologia apresentasse um crescimento significativo. Assim, segundo o psicólogo clínico Gilberto Godoy em um artigo publicado pelo Correio Braziliense, todo esse cenário pandêmico criou novas formas de nos relacionarmos com o mundo à nossa volta e acabou desencadeando no agravamento de uma série de transtornos mentais, como ansiedade, depressão e síndrome do pânico.

FOMO
Um dos transtornos que ganhou a cena durante esse período foi a FOMO. ou Fear of missing out (medo de ficar de fora). Mais comum em jovens e millenials por sua maior propensão ao uso das redes sociais e da internet num geral, a FOMO está relacionada a um forte impacto psicológico perante o que as outras pessoas estão mostrando na internet: ou seja, o famoso sentimento de inferioridade e a comparação com amigos e colegas provocado pelas postagens nas redes sociais.

O processo da FOMO acontece assim: a pessoa começa a ver fotos e vídeos nas redes e vai se deparando com imagens de seus amigos e até de pessoas que nem conhece na praia, numa festa, se divertindo em algum lugar ou fazendo algo produtivo que parece interessante. Pronto: ansiedade, comparação, medo, tristeza e baixa autoestima podem aparecer.

O que para muitos pode parecer um problema bobo, na verdade é uma questão séria de saúde pública. Todos sabemos que os conteúdos das redes sociais, muitas vezes, não têm nada a ver com a vida real e que não faz o menor sentido ficar se comparando. Mas a manipulação da realidade rola solta na internet e acontece desenfreadamente ao ponto de confundirmos o que está nas telinhas com o que está fora. Isso causa impacto negativo na vida dos usuários, principalmente dos viciados em rolar o feed, que estão sendo atravessados por esses estímulos na maior parte do tempo.

O problema se tornou tão sério que algumas ferramentas, como o Instagram, tomaram providências: o número de curtidas agora é oculto e sempre que há uma postagem feita com uma parceria paga, isso é indicado na publicação. Não só as ferramentas, mas também alguns países decidiram fazer alguma coisa: na Noruega, agora, todas as imagens publicadas com filtro devem ser sinalizadas.

Como controlar isso?
Dosar o tempo em que se está conectado é o maior e mais importante passo. Uma outra forma de contornar a situação é procurar consumir conteúdos mais realistas e se afastar um pouco da plasticidade e da superficialidade de alguns perfis da internet. Existem várias páginas hoje que falam sobre saúde mental, sobre política, sobre corpos livres e outros assuntos que podem ter um impacto muito mais positivo para nós.

Outro passo importante é procurar ajuda especializada. Muitas vezes nossos problemas psicológicos e emocionais são considerados pequenos, por nós mesmos e pelas pessoas que estão à nossa volta. Mas a verdade é que não existe problema pequeno, existe a forma como cada um sente e, em alguns casos, não é vergonha nenhuma pedir ajuda. Afinal, não precisamos lidar com tudo sozinhos, não é mesmo?

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