Depressão, ansiedade e outros transtornos: como fazer diferente?

08 de agosto de 2020

Ansiedade, depressão, bipolaridade, transtorno obsessivo compulsivo, estresse pós-traumático e outros transtornos mentais são comuns na realidade mundial dos dias de hoje. Contudo, será que nós sabemos mesmo como lidar com esse assunto? Conviver com quem tem transtorno mental pode ser desafiador. Mas com informação, escuta e diálogo, é possível evitar o preconceito. Conheça algumas atitudes que podem mudar de forma significativa a sua relação com essa questão:

falar pode mudar tudo

Informe-se
Busque saber mais sobre cada um dos transtornos, seus sintomas, características, possíveis tratamentos e comportamentos associados. “A partir do momento em que a pessoa começa a ser esclarecida do que é uma depressão, um transtorno bipolar, uma esquizofrenia, ela vai abordar o outro com mais cuidado”, diz a psiquiatra Dra. Alexandrina M. A. Silva Meleiro, doutora em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “Quanto mais informação, mais a pessoa vai pensar ‘talvez essa pessoa tenha um transtorno, talvez precise de um médico”, diz o psiquiatra Dr. Andres Santos Jr., supervisor do Ambulatório Longitudinal da Unifesp e pesquisador em neuroestética.

“Quantos adolescentes suicidas que chegam no consultório são trazidos pelos pais por uma preguiça crônica? Preguiça não é doença. Se ele está isolado, é preciso conversar. Falar não vai estimular o suicídio.” Dr. José Paulo Fiks.

Informe
A melhor arma contra o preconceito é a informação, ou seja, que se divulgue o conhecimento sobre os transtornos mentais e que se fale mais sobre o assunto. Assim, quem tem algum transtorno sabe que está incluído. “É preciso saber que há tratamento, há acolhimento, há possibilidades.” Nesse sentido, que artistas e celebridades tornem públicos os seus transtornos contribui para a redução do preconceito. “Eles mostram que têm um problema, se tratam, mas a vida continua”, diz o psiquiatra Dr. José Paulo Fiks, professor afiliado pelo Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisador do Serviço de Atendimento e Pesquisa em Violência e Estresse Pós-Traumático (PROVE).

É hora de brincar?
Brincadeiras podem até ajudar a quebrar algum gelo e não são necessariamente sinal de preconceito, em si. Mas brincar é um gesto arriscado, que depende de um contexto que favoreça. E, quando se fala de um assunto do qual se sabe muito pouco e rodeado de estigma, a chance de errar é grande. Por isso, é importante prestar muito atenção se a brincadeira é bem-vinda. “É preciso ter o ‘semancol’ e perceber quando uma brincadeira está sendo adequada ou não. É questão de se desenvolver uma noção de empatia com o outro e ao mesmo tempo de compaixão”, explica Dra. Alexandrina.

Escute
Mesmo tendo algum conhecimento, é importante abrir o espaço para que a pessoa que tem o transtorno mental fale. Antes de dar uma solução ou um conselho, pergunte e escute. “Quanto mais você se interessar e perguntar, e escutar, mais eles vão se sentir acolhidos e fortalecidos para falar quando estão mal”, diz Dr. Fiks. “Muitas vezes, o que mais ajuda é dedicar à pessoa bons ouvidos. Ouvir com atenção, sem julgar”, diz o psiquiatra Dr. Neury J. Botega, professor titular pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Pergunte
Antes de sugerir uma solução que funcionaria para você, pergunte. “Você acha que tem alguma coisa que poderia te ajudar a conseguir sair de casa? Tem alguma coisa que poderia te aliviar neste momento?”, exemplifica a psiquiatra Dra. Maria Antônia.

Convide
Também vale convidar. Mas um convite de verdade, que aceita o “não” como resposta, não aquele convite que disfarça uma demanda. “Uma coisa é chamar: ‘quer fazer uma caminhada comigo? Acha que pode te ajudar?’, outra é a cobrança: ‘vai ficar aí o dia inteiro? Não vai nem sair para dar uma volta?’”, explica a Dra.

Dialogue
É preciso atenção para saber a hora de conversar. Apontar um problema na hora de uma briga não é o melhor momento. “Porque a pessoa vai se defender. Mais vale encontrar um outro momento, fora da tensão, e falar ‘notei que você estava mais irritado, você não estava assim antes, será que está tudo bem?’, de um jeito que mostre uma preocupação genuína”, diz Dra. Maria Antônia.

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Essas são pequenas atitudes podem surtir grandes efeitos! Continue ligado no nosso blog para conferir mais dicas e informações sobre este e outros assuntos.

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