O que são transtornos mentais?

18 de agosto de 2021

Os transtornos mentais são síndromes caracterizadas por perturbações consideradas clinicamente significativas na cognição, no emocional e no comportamental de um indivíduo (segundo a definição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5), que podem ter impactos drásticos na vida das pessoas que os possuem.

Comumente associados ao sofrimento, os transtornos ansiosos, depressão, síndrome do pânico, dependências químicas, transtorno bipolar e outros, apesar de muito comuns, são também frequentemente tratados como tabu. Para conhecermos melhor um pouco sobre cada um deles, trouxemos um pequeno glossário de saúde mental. Confira!

O que são transtornos mentais?

Transtorno de ansiedade social
Ansiedade ou medo importantes diante uma ou mais situações sociais em que o indivíduo pode ser julgado por outras pessoas. Teme agir de forma a demonstrar sintomas ansiosos, que poderão ser avaliados negativamente pelos outros (medo de passar vergonha, humilhação, rejeição ou até mesmo de ofender).

Situações de interação social (por exemplo, falar com pessoas), de desempenho (como apresentar um trabalho na faculdade, falar em público) ou em que a pessoa se sente observada (ao escrever, comer ou beber) são evitadas ou enfrentadas com ansiedade ou medo acentuados (por no mínimo 6 meses).

Transtorno de ansiedade generalizada
Ansiedade e preocupações excessivas relacionadas a diversos eventos, circunstâncias e/ou situações da vida diária.

Há muita dificuldade de controlar ou cessar as preocupações, que costumam ser dos mais variados assuntos. O indivíduo tem uma sensação de que “a cabeça não para” ou de que “não consegue desligar”. Além disso, podem ocorrer sintomas como inquietação, tremores, palpitações, irritabilidade, insônia, lapsos de memória (“brancos”) fadiga, tensão muscular, dores e outros sintomas psicossomáticos (como dor no estômago, diarreia, constipação intestinal).

Transtorno de pânico
Presença de ataques de pânico inesperados e recorrentes. Esses ataques se caracterizam por surgimento abrupto (crise) e intenso de medo ou desconforto associado aos seguintes sintomas:

  • Medo de perder o controle ou morrer.
  • Palpitações, suor, tremores, sensação de desmaio, falta de ar, dor torácica, náuseas, tontura, calorões, formigamento.
  • Sensação de estranheza, de si mesmo (despersonalização) ou do ambiente (desrealização).

As crises duram em média 15 a 30 minutos e são seguidas de preocupação constante de ataques adicionais, de suas possíveis consequências (como perder o controle, enlouquecer, ter um ataque cardíaco) ou até mesmo de comportamentos voltados para evitar o ataque de pânico (evitar exercícios, ambientes).

Estes são chamados de comportamentos de esquiva fóbica e acontecem também na agorafobia, que apesar de ser um transtorno separado do transtorno de pânico, acontece frequentemente de forma conjunta.

Agorafobia
É o medo de desenvolver sintomas ansiosos/ataques de pânico em lugares cuja saída pode ser difícil ou embaraçosa (por exemplo em reuniões, avião, cinema) ou em que não haja ajuda disponível. Os critérios diagnósticos atuais exigem a ocorrência de sintomas em pelo menos duas situações diferentes.

Fobias específicas
Ansiedade e medo intensos diante determinado objeto ou situação, acompanhados de comportamentos de fuga/esquiva. O indivíduo teme um ou mais objetos ou situações que causam ansiedade, como animais, sangue, injeção, animais, altura, voar etc.

Transtornos de humor
Os transtornos de humor são condições comuns, progressivas e com tendência à recorrência e cronicidade. São representados pelos Transtornos do Espectro Unipolar e do Espectro Bipolar.

Os Transtornos do Espectro Unipolar são: Transtorno Depressivo Maior (TDM), Transtorno Depressivo Persistente (distimia, “depressão dupla” e “depressão crônica”), Transtorno Disfórico Pré-Menstrual, Transtorno Depressivo induzido por substâncias ou condição médica.

Os transtornos do Espectro Bipolar são: Transtorno Afetivo Bipolar tipo I, Transtorno Afetivo Bipolar tipo II e Ciclotimia. Existem também casos mais leves que não se encaixam nessas classificações.

Transtorno depressivo maior
Comumente conhecido como depressão, o transtorno depressivo maior (TDM) se caracteriza por períodos de duas ou mais semanas de tristeza anormal e excessiva, desinteresse, perda do prazer e principalmente falta de energia. Também podem ocorrer insônia, alterações de apetite, inquietação/lentificação dos movimentos e dificuldade de concentração, memória e raciocínio. Tais sintomas devem causar sofrimento intenso e/ou prejuízo funcional (relações interpessoais, trabalho, escola, faculdade etc.).

Existem diversos subtipos existentes de depressão:

  • Ansiosa
  • Melancólica
  • Atípica
  • Sazonal
  • Psicótica
  • Mista
  • Periparto

Dentre essas, comenta-se cada vez mais a depressão periparto, que envolve a depressão antenatal (durante a gestação) e a pós-parto (até 4 semanas após o parto).

Transtorno depressivo persistente (distimia)
Caracteriza-se por dois ou mais sintomas depressivos, geralmente mais leves, como:

  • Apetite diminuído ou aumentado
  • Insônia ou hipersonia
  • Baixa energia ou fadiga
  • Baixa autoestima
  • Dificuldade de se concentrar ou tomar decisões
  • Sentimento de desesperança

Tais sintomas devem ter duração de dois anos ou mais e não podem ficar ausentes por mais de dois meses consecutivos.

Transtorno Afetivo Bipolar
É uma doença crônica caracterizada pela ciclicidade e recorrência dos episódios de humor, que podem estar dentro dos dois polos: depressivo e maníaco.

O humor é como a lente pela qual vemos o mundo. Enquanto na depressão o “mundo perde a cor e tudo parece cinza”, na mania “tudo é muito colorido”, mais vívido, mais prazeroso e mais intenso.  O indivíduo em mania, essencialmente, tem um aumento ou aceleração de certas funções psíquicas:

  • O pensamento e a fala ficam acelerados, com conteúdo otimista, grandioso, a autoestima exageradamente aumentada, às vezes até perder o contato com a realidade. O indivíduo pode fazer vários planos e sentir-se mais criativo.
  • Aumento de energia direcionada a objetivos, como intensificação do ritmo de trabalho, da socialização, com mais amigos e paqueras, da atividade física e da atividade sexual.
  • Aumento de energia não direcionada a objetivos, como inquietação ou agitação.
  • Redução da necessidade de sono: o indivíduo pode acordar descansado com poucas horas de sono, num padrão bem diferente do habitual  (por exemplo, de 8 horas, passa a dormir 4 horas por noite).
  • Alteração da atenção, com dificuldade de foco, faz várias coisas ao mesmo tempo.
  • Impulsividade, geralmente em áreas que o indivíduo já tem algum descontrole, por exemplo jogos de azar ou videogames, investimentos de risco, compras exageradas, sexo (com aumento de relações sexuais, muitas vezes extraconjugais e de risco), drogas, mudanças no visual (tatuagens, piercings, cortes e mudança da cor dos cabelos)

De acordo com a quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), existem dois tipos:

  • Tipo I: em que ocorre mania (elevação grave do humor), associada ou não a episódios depressivos
  • Tipo II, em que ocorre hipomania (elevação leve do humor),  necessariamente associada à presença de episódios depressivos para o diagnóstico.

Já o quadro de ciclotimia se caracteriza pela alternância entre períodos com sintomas mais leves, que não chegam a caracterizar um episódio de hipomania, e depressão ao longo de pelo menos dois anos.

Fonte consultada:
Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed; 2014.

 

 

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