Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT)

27 de agosto de 2020

O beabá do TEPT
O Transtorno do Estresse Pós-Traumático, o TEPT, é algo bastante novo e ainda amplamente debatido até mesmo entre os especialistas. Seu diagnóstico só foi oficialmente criado em 1980 e está em constante revisão. Por isso, preparamos algumas informações relevantes para você começar a conhecer o TEPT, com a ajuda do psiquiatra Dr. José Paulo Fiks, professor afiliado do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisador do Serviço de Atendimento e Pesquisa em Violência e Estresse Pós-Traumático (PROVE).

TEPT, ou a neurose de guerra
Até 1980, os diagnósticos mais usados para o que hoje se entende como TEPT eram o transtorno de ajustamento e a neurose de guerra. Hoje, o TEPT é tratado e estudado por pesquisadores em pessoas afetadas por acontecimentos que vão desde situações que envolvem eventos potencialmente traumáticos como a da violência doméstica, da violência urbana, contra mulheres e minorias e de trânsito, além de catástrofes naturais ou provocadas pelo homem como as a tragédias de Brumadinho, de Mariana ou da Boate Kiss.

O que caracteriza o TEPT
O TEPT é sempre decorrente de alguma experiência, pessoal ou como testemunha, próxima da morte, de ameaça à vida. O gatilho pode tanto ser uma experiência traumática específica quanto a experiência de estresse contínuo, como vítimas de violência doméstica crônica, por exemplo. E nem todo mundo que passa por elas tem TEPT – ele afeta cerca de 20% das pessoas que passam pela experiência traumática, dependendo da gravidade do impacto do trauma. “80% superam e incorporam a experiência em suas vidas, superam a experiência adversa e podem ficar mais fortes”, diz Dr. Fiks.

O quadro de estresse pós-traumático é caracterizado por uma tendência a evitar sair de casa, não sair do ambiente que é entendido pelo paciente como mais confortável, mais protegido. A pessoa também fica hipervigilante, o tempo todo verificando se há alguma ameaça no ambiente, e assustadiço. Qualquer contato com algum elemento relacionado – pode ser um carro parecido com o que foi usado em um sequestro pelo qual a pessoa passou, por exemplo – causa grande aflição e desconforto. A revivescência, os chamados flashbacks, que são lembranças vívidas do evento traumático, podem aparecer em forma de pesadelos, o que impede o sono. E, por fim, há a os elementos depressivos, que hoje podem ser considerados como parte do TEPT, e não mais uma doença agregada.

Pode ser difícil de diagnosticar
O tratamento do TEPT envolve uma particularidade: é mais fácil para o médico se identificar com os pacientes e seus sintomas. “O profissional da saúde deve estar bem preparado para escutar histórias parecidas com as que possivelmente passou e que também possam tê-lo impactado negativamente. A pandemia atual, por exemplo, que afeta a todos, o que inclui médicos e pacientes, é um bom exemplo de situação que pode ser perturbadora tanto para o terapeuta quanto para o doente”, diz Dr. Fiks.

Especialistas também têm discutido a possibilidade de uma mudança nos critérios do TEPT em função da pandemia. “Muita gente está com TEPT nessa pandemia por uma ameaça à vida que não é visível a olho nu. Então estamos debatendo: será que é preciso ter uma ameaça à vida para caracterizar? Quantas pessoas estão isoladas, aparentemente protegidas e agora não conseguem sair de casa de forma sintomática, evidenciando um quadro de TEPT mesmo sem terem passado por uma ameaça real à vida?”, explica Dr. Fiks.
Seja como for, cuidar da saúde mental durante esse período pode ser um fator de prevenção ao TEPT. Confira algumas recomendações de especialistas para lidar melhor com a ansiedade em tempos de pandemia e mesmo quando tudo isso passar.

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