Transtornos mentais: como fazer diferente?

10 de agosto de 2020

Pequenas atitudes podem fazer uma grande diferença quando o assunto é a convivência com pessoas que possuem transtornos mentais. No último post, falamos sobre alguns exemplos de ações que têm o potencial de promover mudanças significativas e positivas na rotina de quem convive com depressivos , ansiosos, bipolares e outros. E, hoje, daremos mais algumas dicas para deixar o cotidiano mais leve e também para estimular a compreensão de que com informação, escuta e diálogo é possível ultrapassar as barreiras do preconceito.

falar pode mudar tudo

Tome uma atitude, se necessário
Nessa escuta, dê também espaço para perceber a melhor forma de ajudar. “Quando sentir que precisa fazer alguma coisa, faça. Se possível, pergunte àquela pessoa o que ela acha disso que você está pensando em fazer. E, se estiver convencido de que precisa ajudar essa pessoa mesmo dizendo não, ajude. Pode ser o caso de marcar uma consulta e acompanhar sua amiga na primeira sessão, deixando na escolha dela prosseguir ou não. Em muitas situações a gente tem que partir para a ação, mas para isso é preciso clareza, conhecimento e não estar movido nem por medo nem por preconceito”, ensina o psiquiatra Dr. Neury J. Botega, professor titular pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Inclua
Com os tratamentos disponíveis, não há motivo para excluir a pessoa que tem transtorno mental do convívio social nem mesmo do mundo do trabalho. “Até pouco tempo atrás, o bipolar mesmo estabilizado não tinha lugar na sociedade. Isso mudou muito. É possível ter um esquizofrênico controlado, assim como um diabético ou um cardíaco controlado, estudando, trabalhando. Mas ele tem uma certa vulnerabilidade, que precisa de um tratamento de perto”, explica o psiquiatra Dr. José Paulo Fiks, professor afiliado pelo Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisador do Serviço de Atendimento e Pesquisa em Violência e Estresse Pós-Traumático (PROVE).

Adapte-se
Para apoiar e incluir, é preciso sim fazer algumas adaptações às diferenças. “A pessoa que tem deficiência visual, por exemplo, pode trabalhar com raio-X, em ambiente escuro. Mas, para isso, ela tem que ser treinada para circular sem que ninguém precise conduzir. É a mesma coisa com o transtorno mental. E a gente também precisa treinar a pessoa que vai lidar com ela”, diz a psiquiatra Dra. Alexandrina M. A. Silva Meleiro, doutora em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Assim, a rotina familiar, da empresa e até dos encontros de amigos talvez precisem de ajustes para incluir a pessoa que tem um transtorno mental. “Acredito que as empresas deveriam promover mais a saúde mental dentro do ambiente de trabalho, abrir para que as pessoas falem. Isso aumentaria a produtividade, inclusive”, diz Dra. Maria Antônia. “E às vezes será preciso diminuir seu grau de expectativa e cobrança em torno da pessoa e acomodá-la no que ela é capaz de fazer”, diz a psiquiatra Dra. Giuliana Cividanes, mestre em psiquiatria pela Unifesp.

Identifique os sinais de alerta
Quem convive de perto com quem está em tratamento pode ajudar ficando atento aos sinais de alerta e auxiliando a manejar os fatores externos que podem ser estressores. E tanto esses sinais como os fatores são muito específicos de cada pessoa. “Um vai comer demais, o outro vai ser o sono desregulado, ou vai faltar ao trabalho. Cada pessoa tem o seu sinal, que costuma se repetir antes de uma crise e indica que a pessoa precisa de ajuda”, diz Dra. Alexandrina. Por isso é muito importante conhecer, escutar e conversar.

Conheça os seus limites
Por fim, é também preciso reconhecer e cuidar dos próprios limites. Aceitar não quer dizer tolerar qualquer coisa incondicionalmente. Dra. Alexandrina conta uma história para exemplificar: “Uma paciente está morando com a avó e não tem tempo de estudar para um teste importante porque a avó não para de demandar sua ajuda para todo tipo de atividade que ela arruma para fazer o dia inteiro. A avó não parava e a menina estava ficando ansiosa. Nesse caso, a gente vai ensinando a colocar limites para a pessoa não invadir o seu espaço.”

Peça ajuda
Esse cuidado inclui saber a hora de pedir ajuda a uma rede de apoio ou a profissionais, o que não é nenhum demérito. “Em casos graves em tratamento, as famílias precisam de um apoio muito próximo de um profissional de saúde mental e de serviços de saúde mental”, lembra Dr. Neury.

“Na maioria das vezes, os tratamentos não são uma questão só de medicação, mas de medidas que coloquem essa pessoa em uma situação de vida em que ela se sinta feliz, em que ela encontre um significado para a existência dela”, diz Dr. Neury.

Esperamos que essas dicas possam ajudar você e outras pessoas a terem uma melhor dinâmica de convivência com quem tem algum tipo de transtorno mental. Para ter acesso a mais informações e conteúdos sobre este tema, continue ligado no nosso blog!

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