Libbs participa de consórcio internacional para desenvolvimento de biológico que pode salvar vida de bebês

13 de abril de 2016

O projeto, apoiado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), prevê o desenvolvimento do palivizumabe, indicado para prevenir infecção respiratória grave em recém-nascidos.

A Libbs, indústria farmacêutica nacional, assinou em março de 2016 sua participação no consórcio internacional para desenvolvimento e produção do anticorpo monoclonal palivizumabe, indicado para prevenir a infecção de recém-nascidos, principalmente os prematuros, pelo vírus sincicial respiratório (VSR).

Segundo dados da OMS, surgem por ano cerca de 60 milhões de casos da doença e ocorrem mais de 160 mil mortes de bebês em todo o mundo, causadas pelo VSR. Como o medicamento tem um alto custo, o principal objetivo do consórcio é oferecer o produto a um preço acessível, de acordo com a economia de cada país, para ampliar o acesso e salvar a vida de mais bebês.

O projeto será coordenado pela Universidade de Utrech, na Holanda, com o apoio da OMS e será desenvolvido pelo nosso parceiro, a mAbxience, pela Libbs, pela Medigen, indústria farmacêutica do Taiwan, e pela Spimaco, indústria farmacêutica da Arábia Saudita. A previsão é que o palivizumabe esteja disponível em cerca de 5 anos.

O diretor da unidade B2B da Libbs, Marco Dacal, conta que a proposta surgiu no final de 2013, quando o projeto dos outros biológicos da Libbs estava em fase mais avançada de seu planejamento. “A nossa parceira na Biotec, a mAbxience, nos contou que estava desenvolvendo um anticorpo monoclonal para uma patologia relevante, a infecção causada pelo VSR, uma das doenças que mais matam recém-nascidos em todo o mundo. O que nos chamou a atenção foi que esse medicamento, que pode salvar vidas, era subutilizado de modo geral, principalmente em países como o Brasil”, conta Dacal.

A primeira reunião do projeto aconteceu em 2014, na Universidade de Utrech. “Tínhamos nesse primeiro momento cerca de 10 empresas farmacêuticas interessadas no consórcio. Porém, foram escolhidas aquelas que tinham maior relevância e condições para produzir e distribuir o palivizumabe localmente, como a Libbs, devido à nossa entrada no segmento dos anticorpos monoclonais”, explica.

É importante destacar que a mAbxience é a empresa chave do consórcio, já que detém o know-how para desenvolver um projeto desse porte. “Precisamos reforçar a importância dessa iniciativa e a sua complexidade, uma vez que na área de medicamentos biológicos o produto é o processo e cada empresa terá sua própria transferência de tecnologia. Mas, é fundamental destacar que o desenvolvimento do biossimilar do palivizumabe está seguindo todas as exigências necessárias para garantir um produto final seguro e eficaz”, diz Dacal.

Dacal explica ainda que a princípio não é uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP), porém, ao longo do processo, ela pode se tornar, principalmente devido a sua relevância na redução da mortalidade de recém-nascidos e no impacto no orçamento da saúde. “Para se ter uma ideia, de acordo com as diretrizes internacionais, a vacinação com o palivizumabe é indicada para bebês prematuros abaixo de 32 semanas. Aqui no Brasil a indicação é para bebês abaixo de 28 semanas. Mas, entre a 28ª e a 32ª semanas, há um potencial enorme para salvar esses bebês”, explica Dacal.

Um pouco mais sobre o palivizumabe
O palivizumabe é um anticorpo monoclonal, usado para prevenir a infecção pelo vírus sincicial respiratório, uma das principais causas de óbitos de recém-nascidos. O medicamento é administrado como se fosse uma vacina, aplicado em cinco doses, uma por mês, por todo o período de maior risco de infecção.

Compartilhe