Confira os mitos e verdades da Doença de Alzheimer

30 de janeiro de 2016

Neurologista Antônio Eduardo Damin, especialista do Hospital das Clínicas, esclarece as dúvidas desta doença que atinge mais de 35 milhões de pessoas no mundo

Segundo a Associação Brasileira de Alzheimer (ABraz), mais de 35 milhões de pessoas têm Doença de Alzheimer no mundo. Só o Brasil detém cerca de 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico. Esta enfermidade atinge principalmente idosos a partir dos 55 anos de idade e entre os sintomas estão demência e perda de funções cognitivas, como memória, orientação, atenção e linguagem, causadas pela morte de células cerebrais. A doença ainda é marcada pela falta de conhecimento pela crença de que alguns sintomas são naturais do processo do envelhecimento.

O neurologista Antônio Eduardo Damin, do Centro de Referências em Distúrbios cognitivos do Hospital das Clínicas de São Paulo, esclarece alguns mitos e verdades sobre a doença. O médico já participou com artigos para a Revista Ao Seu Lado, uma parceria da Abraz com a Libbs Farmacêutica, entregue nos consultórios médicos. A publicação aborda temas como a prevenção da Doença de Alzheimer, além de exercícios para melhorar a mobilidade dos portadores da doença e os desafios dos cuidadores. Confira:

1. O primeiro sintoma do Alzheimer é a perda da memória.
MITO: não é apenas a perda da memória que sinaliza a doença. Ela atinge inicialmente a parte do cérebro que controla a linguagem, a memória e o raciocínio. Por isso, outros sintomas podem indicar sua chegada como dificuldade em controlar as finanças, alterações de comportamento inesperados, desorientação no tempo e espaço, dificuldade em executar tarefas rotineiras, entre outras.

2. Esquecer as coisas significa ter o mal de Alzheimer
MITO. Problemas de memória podem estar relacionados a diversos fatores, como outras demências ou até mesmo estresse e depressão. Além disso, a doença de Alzheimer vai atingir as memórias recentes, enquanto memória de fatos acontecidos há mais tempo (como na infância) são preservadas. A pessoa com Alzheimer, afirmam especialistas, tem memória de curto prazo comprometida, demonstrando dificuldade cada vez maior de memorizar, registrar novas informações e aprender coisas novas.

3. Quem tem Alzheimer não consegue compreender o que se passa ao seu redor.
MITO: o portador desta doença se mantém consciente do que está acontecendo ao seu redor, apesar das dificuldades de memória e dos outros sintomas. Apenas nos estágios avançados isso pode mudar. O importante é não tratar o idoso com Alzheimer de forma infantilizada. Deve-se preservar seu papel e espaço nas relações familiares.

4. Jogos de raciocínio, como palavras cruzadas e sudoku, ajudam a evitar a doença.
MITO: esse tipo de jogos de raciocínio podem amenizar os sintomas e até ajudar no tratamento. Porém, sua prática não evita que uma pessoa desenvolva a doença.

5. Praticar atividade física é importante para pessoas com Alzheimer.
VERDADE: exercitar-se pode retardar a manifestação da doença, assim como amenizar seus sintomas, além de melhorar a qualidade de vida do cuidador e paciente.

6. Mal de Alzheimer não tem cura.
VERDADE: infelizmente a doença não tem cura. Porém, existem tratamentos que retardam sua evolução e outros que minimizam os distúrbios no humor e comportamento. Alguns medicamentos podem tornar o processo mais demorado ou atacar problemas paralelos da doença, como insônia ou agitação.

7. Cuidadores e familiares também precisam de cuidado para conviverem com a doença.
VERDADE: o Alzheimer exige tanto das pessoas que cuidam dos pacientes que é preciso que elas mantenham-se física e psicologicamente saudável para dar conta de uma situação que gera extremo estresse. Tratar do portador de Alzheimer é também cuidar de quem está em torno dele. É importante participar de grupos de apoio, aprender a lidar com a culpa, cansaço, angústia, além de mudanças na rotina e cuidados com o paciente.

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