Contraceptivo de uso contínuo previne doenças e proporciona uma vida mais longa

18 de janeiro de 2016

Duas notícias provenientes de estudos científicos dão uma boa ideia de que, além de não fazer mal ao organismo feminino, a pílula anticoncepcional traz benefícios à saúde até mesmo para quem não mantém relações sexuais. Além disso, está comprovado que quem toma a pílula pode ter uma vida mais longa com menos problemas de saúde. Vamos aos fatos!

O primeiro artigo foi publicado na respeitada revista científica The Lancet e sugere que as freiras católicas são prejudicadas pelo voto de castidade e recomenda, inclusive, que elas passem a tomar a pílula anticoncepcional.

Os autores, especialistas de duas universidades australianas (Monash University e University of Melbourne) disseram que, por não terem filhos, as religiosas estão mais sujeitas a sofrer de cânceres do sistema reprodutivo como o de mama, de ovário e útero. O risco maior resulta do fato de que as mulheres que não têm filhos e não amamentam, menstruam mais vezes e, portanto, são mais propensas a desenvolver esses cânceres.

Concluindo o artigo, os especialistas disseram ainda que se a Igreja Católica tornasse a pílula disponível para todas as suas freiras, isso reduziria os riscos de cânceres de ovário e útero entre elas.

Viver mais com menos problemas de saúde – Outro estudo (citado inclusive pelos pesquisadores australianos) publicado no British Medical Journal mostrou que mulheres do Reino Unido que fizeram uso de anticoncepcionais orais são menos propensas a morrer de qualquer causa, incluindo todos os cânceres e doenças cardíacas, em comparação com as não usuárias do medicamento.

Os resultados são parte de uma pesquisa da Universidade de Aberdeen, na Escócia, que acompanhou 46 mil mulheres por quase 40 anos e é hoje um dos maiores estudos já feitos sobre os efeitos dos contraceptivos orais na saúde feminina. Os dados recolhidos e analisados mostraram que, no longo prazo, as mulheres que usaram contraceptivos orais tiveram uma taxa significativamente menor (12%) de morte por causas variadas. Os estudos concluíram também que riscos de câncer de ovário e do útero foram reduzidos entre 50% e 60% em usuárias em comparação com não usuárias da pílula.

É bom lembrar que há diferenças entre as que tomaram a primeira geração de pílulas e as que usam as formulações atuais e, também, os resultados dependem dos padrões de uso e dos tipos de doenças que acometem cada população.

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