Depressão e dor crônica andam juntas

04 de dezembro de 2015

Quem sofre de depressão, geralmente também acaba sendo acometido por dores crônicas associadas à doença, o que acaba desencadeando, em muitos casos, a fibromialgia. Nesse contexto, o paciente apresenta sintomas emocionais (depressão) e físicos (própria fibromialgia, dor lombar etc).

O tratamento também pode percorrer o caminho inverso: o paciente com dor lombar ou fibromialgia desenvolve dor crônica e, em consequência desse quadro, acaba tendo depressão. Seja qual for o sintoma, a melhor opção é sempre procurar orientação junto a um especialista, que nesse caso pode ser o ortopedista, psiquiatra, neurologista, endocrinologista (neuropatia diabética) etc, de acordo com a “porta de entrada” da doença.

A sobreposição entre depressão e fibromialgia é comum. O acesso a um único tratamento para os dois problemas – sintomas depressivos e dor crônica – aumenta a aderência por parte do paciente e reduz a chance do indivíduo sofrer com efeitos colaterais e interações medicamentosas”, explica o neurologista Antonio Eduardo Damin, do Hospital das clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

A depressão

No Brasil, a depressão afeta de 8% a 15% da população, sendo duas mulheres para cada homem. De acordo com dados do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), a depressão é, comprovadamente, a doença que mais causa incapacitação em mulheres, tanto em países desenvolvidos quanto em nações pobres ou emergentes. No mundo, a enfermidade aparece entre as dez principais causas de mortalidade prematura entre o sexo feminino de 15 a 44 anos. Tratada pelo psiquiatra, a depressão, muitas vezes, tem um diagnóstico tardio. Por isso, a descoberta precoce é fundamental para que o paciente inicie o tratamento rapidamente, aumentando as chances do retorno às atividades normais. Especialistas alertam sobre os principais sintomas da doença: mudanças de humor, perda de interesse ou prazer nas atividades, sentimento de culpa ou perda de auto-estima, perda de energia e falta de concentração.

Dor

De acordo com a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), considerando o tempo de manifestação, a dor pode ser classificada em três tipos:

Aguda – Manifestação transitória durante um período relativamente curto, de minutos a algumas semanas, associada a lesões em tecidos ou órgãos, ocasionadas por inflamação, infecção, traumatismo ou outras causas. A partir do diagnóstico e do tratamento corretos, ela pode desaparecer.

Crônica – Caracterizada por apresentar duração prolongada, que pode se estender por anos. A estimativa é que a incidência do problema possa afetar 40% da população mundial, sendo que 50 a 60% dos acometidos sofrem algum tipo de incapacitação que compromete a qualidade de vida da pessoa. De acordo com a SBED, alguns fatores contribuem para o aumento crescente do número de casos de dor crônica no mundo. São eles: novos hábitos de vida; maior longevidade do indivíduo; prolongamento de sobrevida dos doentes; e as modificações do meio ambiente.

Recorrente – Apresenta períodos de curta duração que, no entanto, se repetem com frequência, podendo ocorrer durante toda a vida do indivíduo, mesmo sem estar associada a um processo específico.

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