Campanha incentiva doação de órgãos

28 de setembro de 2016

Batizada de “Uma nova chance”, campanha da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) visa conscientizar a família do doador, determinante no processo para salvar milhares de vidas

Em 2015, o Brasil registrou quase 10 mil notificações de morte encefálica, o único tipo que permite a doação de órgãos. Deste número, apenas 29% (2.854) tornaram-se doadores efetivos. Este número evidencia um problema maior: além da barreira da especificidade da morte, hoje os 33 mil brasileiros que continuam na fila de espera por transplante precisam contar também com a solidariedade dos familiares, que são responsáveis pela decisão final – e apenas 44% recusaram a doação de órgãos de seus familiares.

De acordo com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgão (ABTO) muitas vezes a negativa ocorre porque os familiares não têm consciência do desejo do próprio parente ou não entendem tão bem o processo para a tomada de decisão. Pensando nisso, a entidade lançou o portal Outra Vida Nova Chance com o objetivo de esclarecer as principais dúvidas sobre o assunto, derrubar mitos e incentivar essa ação que pode ajudar a salvar milhares de vidas. Além disso, durante todo o mês, os mais importantes monumentos brasileiros estarão iluminados com a cor verde para fazer a população refletir sobre o tema.

Para o médico nefrologista José Osmar Medina Pestana, presidente do conselho da ABTO, e que já recebeu da Universidade de Harvard o maior reconhecimento da área pelo trabalho de transplantes de rim na capital paulista, o ato nobre de doar vida e proporcionar uma nova chance para outra pessoa por meio da doação de órgãos e tecidos, é louvável. “O que poucos sabem, é que esta ação de solidariedade e empatia com o próximo depende essencialmente da sensibilização de cada família que perde um ente querido”, comenta Medina.

O especialista ainda selecionou as principais dúvidas sobre o assunto:

1 – Como doar?
No Brasil, para ser doador de órgãos e tecidos, não é necessário deixar nada escrito. Basta avisar a família. É ela quem autorização a ação.

2- E como ser um doador em vida?
Qualquer pessoa saudável pode doar o rim ou medula óssea e, ocasionalmente, parte do fígado ou do pulmão para um de seus familiares. Para doadores não parentes, há necessidade de autorização judicial, aprovação da Comissão de Ética do hospital transplantador e da CNCDO (Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos – INCA), assim como de comunicação ao Ministério Público.

3 – E em caso de morte, como fazer?
O paciente internado em unidade de terapia intensiva (UTI) com morte encefálica, em geral causada por traumatismo craniano (TCE) ou derrame cerebral (AVC). A retirada dos órgãos e tecidos é realizada no centro cirúrgico do hospital e segue toda a rotina das grandes cirurgias. A retirada de córnea pode ser realizada até seis horas após a parada cardíaca.

4- Quais órgãos podem ser doados após o falecimento?
Rins, coração, pulmões, fígado, pâncreas e também tecidos, como córneas, pele e ossos, sempre após a autorização dos familiares.

5- Como ter certeza do diagnóstico de morte encefálica?
O diagnóstico de morte encefálica faz parte da legislação nacional e do Conselho Federal de Medicina. Dois médicos de diferentes áreas examinaram os pacientes e fazem o diagnóstico clinico de morte encefálica. Um exame gráfico, como ultrassom com Doppler ou arteriografia e eletroencefalograma, é realizado para comprovar que o encéfalo já não funciona.

6- E quem vai receber a doação?
Os órgãos são transplantados para os primeiros pacientes compatíveis que estão aguardando em lista única da central de transplante da Secretaria de Saúde de cada Estado. Esse processo, além de justo, é controlado pelo Sistema Nacional de Transplantes e supervisionado pela Mistério Público.

7- Como fica o corpo após a retirada dos órgãos e tecidos?
A retida segue todas as normas da cirurgia moderna. Todo doador pode ser velado de caixão aberto, normalmente, sem apresentar deformidades.

8- Pessoas de quais idades podem ser doadoras?
Pessoas de todas as idades e históricos médicos podem ser consideradas potenciais doadoras. Sua condição médica no momento da morte determinará quais órgãos e tecidos poderão ser doados.


⇒ Mais informações nos sites: Outra Vida Nova Chance / ABTO