Sensibilidade às estatinas pode resultar em fraqueza e dor muscular

08 de setembro de 2020

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), quatro em cada dez brasileiros adultos têm níveis de colesterol elevado – cerca de 40% da população do país. Mas, por se tratar de uma doença silenciosa detectada por meio de exames laboratoriais, boa parte dos casos não são diagnosticados, portanto o tratamento necessário para o controle do colesterol “ruim” (LDL) não é realizado como deveria. Uma das opções mais comuns para o controle do LDL são os remédios à base de estatinas, principal classe farmacológica disponível para cuidado do colesterol. Entretanto, um efeito conhecido como intolerância às estatinas afeta cerca de 5% das pessoas que iniciam a medicação e pode apresentar riscos ao quadro clínico do paciente.

sensibilidade_estatinasEfeitos da sensibilidade às estatinas
Sensação de fraqueza, dores e câimbras nas extremidades do corpo são as principais queixas registradas pelos médicos que tratam pessoas com a condição. “A sensibilidade às estatinas se manifesta como dor ou desconforto muscular frequentes de intensidade variável, podendo haver lesões como inflamação ou alteração estrutural e funcional das células musculares”, explica Dr. Jairo Lins Borges, professor da disciplina de Cardiologia da UNIFESP. “A medicina ainda não sabe ao certo o que gera a intolerância às estatinas, mas quando o paciente apresenta esses sintomas diante do uso de pelo menos duas estatinas diferentes, podemos considerar o diagnóstico de intolerância”.

sensibilidade_estatinas

Alternativa
Uma vez constatada a intolerância às estatinas, o médico responsável pelo caso deve tentar outra abordagem de tratamento. A ciência sugere que esses pacientes que apresentam sensibilidade a uma estatina mais antiga podem se adaptar melhor à algumas estatinas mais modernas. Contudo, no período de isolamento social, essa troca de medicação pode ser dificultada pelo receio de sair de casa e se contaminar com o novo coronavírus. Nessa situação, existe o perigo de o paciente interromper o tratamento por conta própria, de forma inadequada e sem supervisão médica, correndo o risco de só perceber as consequências com a ocorrência de um evento cardiovascular grave, como o infarto do miocárdio ou AVC.

Portanto, é de extrema importância que o tratamento de doenças crônicas não transmissíveis, como o colesterol alto, seja mantido e orientado pelo médico, principalmente em um momento de isolamento social. “Como médico, entendo que é nosso papel conscientizar o paciente sobre os riscos das doenças cardiovasculares e explicar os cuidados com possíveis reações adversas do tratamento. Devemos estar disponíveis para o diálogo e incentivar a troca de informações cada vez mais”, finaliza Dr. Jairo Borges.

Referências Bibliográficas:
https://bit.ly/3iUua4N
https://bit.ly/2PZOXY7
https://bit.ly/2Q1Gu6M

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